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7 Pecados Capitais da Adega como Espaço de Eventos — uma confissão com vinho de barril

Março 26, 2026

Uma carta aberta ao setor MICE. Escrita entre a vindima e o prazo de entrega, com um copo para animar.

Lemos o vosso artigo. Rimo-nos. E depois ficámos em silêncio — porque nos reconhecemos em cada parágrafo. Só que do outro lado da mesa.

Confessais os vossos pecados? Muito bem. Nós também.


1) Soberba -> Humildade
O nosso pecado: «Fazemos vinho desde 1887. O que é que pode correr mal?»
Muita coisa. Muita mesmo. Uma adega é romântica no Instagram e um pesadelo logístico na prática. Sem tomadas elétricas. Sem WiFi. Com escadas que o arquiteto do século XIX definitivamente não planeou a pensar em trolleys com equipamento de som.
A nossa virtude: Agora perguntamos diretamente: «Precisam de uma entrada técnica?» E ouvimos — mesmo quando a resposta é «uma empilhadora para o projetor».

2) Avareza -> Generosidade
O nosso pecado: O cenário mais bonito, incluído no preço — mas a segunda garrafa no networking? À parte. E a terceira. E a água sem gás.
A nossa virtude: Quem poupa no pacote de vinhos perde o cliente. Um bom conceito de bar livre não é um luxo. É gestão de risco.

3) Ira -> Paciência
O nosso pecado: A montagem começa às 6 da manhã. O grupo chega às 6:05. Com 47 pessoas. E pergunta se pode «dar uma vista de olhos rápida à adega».
A nossa virtude: Respiramos. Sorrimos. Pensamos nas vinhas lá fora, que também precisam de 10 anos para produzir algo que valha a pena. A paciência é uma virtude de cultivo.

4) Inveja -> Colaboração
O nosso pecado: «Viram o que a adega do vale ao lado está a fazer? Prova com DJ e espetáculo de drones.»
Vimos. Revirámos os olhos. E depois copiámos discretamente.
A nossa virtude: Este setor vive de recomendações mútuas quando estamos completos. A inveja não faz bom vinho. A colaboração, sim.

5) Gula -> Moderação
O nosso pecado: «Podíamos acrescentar uma prova em barrica. E uma visita. E uma segunda visita. E um jantar com o produtor. E queijos a seguir.»
O programa fica então com nove horas. Os convidados vão-se embora ao fim de três — saciados, mas confusos.
A nossa virtude: Menos paragens, mais impacto. Uma boa noite precisa de espaço para respirar. E não, «o último copo antes de ir» não conta como pausa.

7) Luxúria -> Bom gosto
O nosso pecado: O pôr do sol sobre as vinhas é tão bonito que o incluímos em todas as propostas. «A hora dourada entre as cepas.» Soa maravilhoso. E é maravilhoso. Durante exatamente 23 minutos. Depois fica escuro, e não planeámos iluminação exterior.
A nossa virtude: O cenário está ao serviço do evento — e não o contrário. Não pomos velas sem ter lido primeiro o plano de segurança contra incêndios. Quase sempre.

7) Lust -> Good taste Our sin: The sunset over the vineyards is so good we put it in every proposal. “Golden hour among the vines.” Sounds wonderful. It is wonderful. For exactly 23 minutes. Then it gets dark, and we haven’t planned any outdoor lighting. Our virtue: The setting serves the event — not the other way around. We don’t place candles without reading the fire safety plan first. Usually.


Uma adega como espaço de eventos tem caráter, história e cheiro a carvalho antigo. Tem também as suas particularidades, pontos cegos e pelo menos uma escada a mais. Mas aprende. Devagar. Com dignidade. E com uma boa colheita como motivação.

A todos os event managers: vemos os vossos pecados. E não atiramos a primeira pedra. Preferimos encher-vos o copo.

— A adega. Também trabalhámos com Excel. Arrependemo-nos.


Na winepop.events unimos estes dois mundos — para que o próximo evento numa adega não falhe por causa de uma escada.

👉 winepop.events


Inspirado em: Os 7 Pecados Capitais do MICE de Fernanda Udaondo Varela, Vice-Presidente da EMA 🔗 Artigo original

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